Greve dos médicos com 80 a 90% de adesão

Por Rita Almeida / Quinta-feira, 09 de Novembro de 2017 / Publicado na categoria Nacional, Notícias

A greve dos médicos a provocar uma paralisação a nível nacional na ordem dos 80 a 90%.

A greve dos médicos está a provocar o encerramento de vários serviços no setor da saúde. De norte a sul do país, há blocos operatórios fechados nos hospitais.

 

Jorge Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos, em entrevista à RTP, fala a incapacidade política em resolver toda esta situação.

“É uma incapacidade política que o Ministro da Saúde tem tido para lidar com estas matérias. Tem uma grande capacidade de relação públicas, aliás como todos os dias vemos, sempre com belas palavras. A nossa greve disse que concordava com as nossas palavras. Aquilo que se pretende é uma diminuição da carga de trabalho junto dos médicos, nomeadamente, de uma forma faseada das 18horas de horário, para 12 horas de urgência. Essa horas seriam utilizadas para cirurgias programadas e para consultas, diminuindo às listas de espera, que como sabemos têm aumentado”.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, já reagiu a esta greve dos médicos, afirmando que até ao final do ano há condições para que haja um consenso possível.

“Tem havido um permanente diálogo entre o gabinete do Secretário de Estado da Saúde e os Sindicatos. Tem havido negociações e há aspetos que já estão fechados. Há outra que ainda não estão fechados porque são mais difíceis, é o caso da redução no serviço e, também, o número de redução de utentes por médico de família. Apesar de tudo tem havido caminho e tem sido feito caminho. Eu continuo a acreditar que apesar da greve que já estava agendada e claramente que o Sindicatos quiseram fazer cumprir, há condições para o diálogo para que até ao final do ano haja um consenso possível”.

Mas o Bastonário da Ordem dos Médicos quer ir mais longe do que a greve. Miguel Guimarães insiste na demissão do presidente do Conselho Nacional de Saúde.

“Não é preciso mais nada de justificar a greve a não ser as declarações que o Presidente do Conselho Nacional de Saúde fez. Estas declarações servem perfeitamente para justificar uma aderência em massa que os médicos possam ter. Eu que até serve para ir mais longe. A greve vale o que vale, é uma greve. Eu acho que os governos já estão habituados à grave. Mas há outras formas de ir mais longe. Se os médicos hoje estão a mostrar a sua insatisfação por aquilo que está a acontecer no Serviço Nacional de Saúde e pelas ameaças que existem ao exercício da medicina e à qualidade da medicina, por aquilo que são as perspetivas de implementação de políticas contra os nossos doentes, acho que os médicos fazem bem em aderir à greve”.

Os médicos de todo o país estão desde as 0h00 de quarta e se mantém até as 0h00 de quinta. Em causa está a reformulação dos incentivos à fixação em zonas carenciadas, uma revisão da carreira médica e respetivas grelhas salariais e a diminuição da idade da reforma para os médicos.

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