A fadiga aumenta os riscos de lesões?

Por Tiago / Sábado, 11 de Novembro de 2017 / Publicado na categoria Curiosidades, Desporto

A fadiga é o resultado de um esforço físico intenso, como uma maratona. Mas é também a causa de lesões. Porquê?

A fadiga influencia o risco de lesão? Apenas nos tecidos moles (pele, músculos, tendões e ligamentos) ou também tem influência nas lesões traumáticas? Antes de mais, importa perceber o que é a fadiga e quando o corpo está em fadiga. Pode dizer-se que é um estado que impede o desempenho de determinada tarefa devido à incapacidade de recrutar os músculos e mover os segmentos do corpo de forma eficiente. Do ponto de vista fisiológico, após um estímulo físico intenso verificam-se nos músculos estado inflamatório local e dano muscular. Além disto, com a fadiga ocorre também uma diminuição da capacidade do Sistema Nervoso Central em ativar as vias nervosas que permitem a contração muscular.

Como é influenciado o risco de lesão?

À medida que o organismo entra em fadiga, ocorre uma diminuição de marcadores funcionais, como a força ou o sentido de posição articular (perceção do próprio corpo, dos seus segmentos, da atividade muscular e do movimento), que vão impedir a realização do movimento de forma eficiente, potenciando assim o risco de lesão. Parece lógico que, à medida que os músculos entram em fadiga, a sua eficiência diminui e o risco de lesão aumenta. Além disto a diminuição da força muscular e da taxa de disparo nervoso prejudica o controlo dos movimentos. Por exemplo, a diminuição do sentido de posição articular prejudica a resposta reflexa aos movimentos das articulações, levando a uma maior probabilidade de lesão articular traumática, como a rutura do ligamento cruzado anterior do joelho.

O que pode justificar a fadiga?

A fadiga pode surgir por fatores como estímulo de treino insuficiente; estímulo de treino excessivo e recuperação insuficiente; aumento de carga durante o exercício, como por exemplo, o período de tempo extra. Alcançar o estado de fadiga significa que o stresse metabólico e/ou mecânico colocado no corpo do atleta é significativo, funcionando como um gatilho para gerar adaptações fundamentais para alcançar um nível correto de desempenho físico.

Quanto demora recuperar da fadiga?

Estudos recentes demonstram que contrações voluntárias máximas e força de contração no quadricípite não estavam nos níveis basais até 72 horas após atividade física. A ativação do músculo voluntário também não estava em níveis normais 48 horas após o exercício. Embora, geralmente, seja aceite que 48 horas é o tempo padrão para se recuperar da fadiga, diferentes estudos sobre marcadores funcionais e fisiológicos demonstram diferenças entre estes para retomar os valores basais. Diversos estudos também chamam a atenção para fatores como a idade dos atletas, que pode ter um papel significativo no tempo de recuperação.

Como monitorizar a fadiga?

A fadiga pode ser monitorizada através do uso de movimentos funcionais como o agachamento, onde são monitorizadas variáveis como duração, explosividade e força máxima. A nível bioquímico, na análise do dano muscular, são avaliadas as medidas de creatina quinase ou mioglobina no sangue, que, quando elevadas, demonstram a existência de lesão muscular. A avaliação da frequência cardíaca é outra estratégia, além, de questionários de preparação física, que avaliam, por exemplo, a qualidade do sono e sensação de cansaço.

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