Marcelo quer país reinventado

Por Rita Almeida / Terça-feira, 02 de Janeiro de 2018 / Publicado na categoria Nacional, Notícias

O ano de 2017 foi estranho e contraditório com grandes sucessos como a visita do Papa Francisco, de crescimento económico, e conquista da presidência do Eurogrupo. Mas grandes tragédias, como os incêndios, se abateram sobre Portugal. Foi assim que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa descreveu o ano de 2017 na mensagem de ano novo. Quando virou o discurso para 2018 o Presidente realçou que está a começar um ano que se quer seja de reinvenção.

Na mensagem Marcelo Rebelo de Sousa pediu também reinvenção do Governo para voltar a ganhar a confiança dos portugueses.

“Reinvenção que é mais do que mera reconstrução material e espiritual. Aliás logo iniciado pelas mãos de muitos, vítimas, governo, autarquias locais, instituições sociais e privadas e anónimos portugueses. Reinvenção pela redescoberta desse ou talvez mesmo desses vários portugais esquecidos porque distantes dos que habitualmente decidem pelo voto os destinos de todos. Reinvenção da confiança dos portugueses na segurança que é mais do que estabilidade governativa, finanças sãs, emprego crescente, rendimentos, é ter a certeza que o país nos momentos críticos as missões essenciais do estado não falham nem se isenção de responsabilidades”.

Nas reações dos partidos à mensagem de ano novo do Presidente da República, Marisa Matias, do Bloco de Esquerda frisou que a reinvenção é importante mas a consolidação também.

“Há outra palavra para o próximo ano que não é apenas a reinvenção, que é a consolidação. A consolidação é do caminho económico, do caminho social que está a ser feito mas que falta chegar a tanta gente e que estamos ainda num país de baixos salários, de pensões baixas, estamos num país onde é preciso investir nos serviços públicos e estamos num país de muita precariedade, de muita pobreza, muita desigualdade e é preciso consolidar o caminho a que está a ser feito que no meu ponto de vista da análise que foi feita desse percurso económico e social do último ano por parte do Senhor Presidente da República”.

João Dias Coelho, do Partido Comunista, não pede reinvenção para 2018 mas medidas concretas para o país.

“Eu acho que não reside tanto o problema na reinvenção. O PCP apresentou na Assembleia da República um conjunto de propostas relativamente ao interior e ao desordenamento do interior, relativamente às questões dos incêndios da resposta dos problemas que estão colocados. Portanto, é preciso é políticas, políticas de fundo e não tanto palavras”.

Quem também não se refere a reinvenção é o Partido Social Democrata. O porta-voz José Matos Rosa disse que o Governo não está disposto a mudar e que só tem um objetivo.

“Sabemos que o Governo Socialista e a maioria parlamentar não estão disponíveis para essa reinvenção. O orçamento para 2018 é a prova disso mesmo. Por outro lado, os portugueses sabem que podem contar smepre com o PSD e que continuaremos a confrontar o Governo com as suas escolhas e os seus parceiros não ousam questionar o que lhe impõe”.

Com críticas ao Governo também o Partido Popular, através de Nuno Melo sublinhou que o que se passou de positivo em 2017 não foi mérito do Governo

“Naquilo que dependeu do Governo, o país não esteve bem. No que não dependeu em grande parte do Governo os resultados foram sendo melhores, foi assim com alguns princípios macroeconómicos alavancados pela alteração da conjuntura económica internacional a par de reformas estruturais que foram feitas pela anterior Governo até 2015 e das contas públicas sendo óbvia a explosão do turismo”.

O Partido “Os Verdes” emitiu o seu comentário em comunicado. O partido ecologista quer mais do que reinvenção e pede vontade política, meios e ação para mudanças estruturais no país.

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