8 mentiras da História de Portugal

Por Rita Almeida / Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018 / Publicado na categoria Curiosidades, Notícias

7 – A nossa presença em África

Antes do 25 de abril de 1974 era frequente ouvir-se falar da “presença portuguesa de 500 anos em África”. Segundo a teoria oficial do regime e a ideia-feita que já vinha da I República, Portugal teria estado meio milénio no continente africano e seria para pôr fim a essa longa permanência que os “terroristas”, armados por potências estrangeiras, nos moviam guerra “a partir do exterior”, uma vez que o ensino era orientado, a informação censurada e o debate inexistente, a opinião pública imaginava que Angola e Moçambique “sempre”tinham sido o que eram.

Ora, a efetiva presença portuguesa em África, longe de ter durado 500 anos, não excedera algumas décadas com especial incidência na primeira metade e em meados do século XX. O equivalente à duração temporal dos impérios africanos de outros países europeus: Inglaterra, França, Bélgica, Itália e Alemanha.

É certo que os primeiros contactos do nosso país com as costas africanas remontam ao século XV e nisso fomos mesmo pioneiros. Mas o estabelecimento de feitorias costeiras vocacionadas para o tráfico de ouro, marfim e escravos não basta para que se fale de colonização de países ou de povos.

Foi só na segunda metade do século XIX, depois da Conferência de Berlim, que a Europa definiu as regras a serem obedecidas na corrida às riquezas de África e a primeira das regras a cumprir para que um país europeu pudesse reivindicar direitos a um território africano consistia na sua ocupação efetiva.

 

8- Fomos o primeiro país a abolir a pena de morte

Está enraizada no nosso espírito a ideia de que fomos os pioneiros da clemência. É verdade que nos encontramos no pelotão da frente, entre os primeiros a abolir a pena capital mas houve quem chegasse antes de nós a`conclusão de que ninguém tem o direito de ceifar a vida a outrem, seja a que pretexto for.

A Venezuela aboliu a pena de morte em 1863, quatro anos antes de Portugal e antes de nós cortarmos a meta tinham-no feito, ainda, o ducado italiano da Toscana, em 1786, e o minúsculo San Marino, em 1865. Pode dizer-se, isso sim, que Portugal foi o primeiro Estado a inscrever essa proibição na Constituição. Mas pode, também, recordar-se que um soldado português foi fuzilado em 1917, na frente de combate da Primeira Guerra Mundial.

Foi na sessão parlamentar portuguesa de 10 de março de 1852 que um deputado do partido governamental propôs abolição da pena de morte para todos os tipo de crimes e, consequentemente, a abolição do “hediondo ofício de carrasco”.

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