Excesso de sal causa danos cerebrais

Por Rita Almeida / Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018 / Publicado na categoria Curiosidades, Notícias

Dizerem-nos que uma alimentação rica em sal faz mal à saúde não nos diz nada de novo. O que não sabíamos é como se desencadeia o processo que prejudica as nossas funções cognitivas e neurovasculares. A investigação foi feita em ratos e revela os danos que o excesso de sal pode ter no cérebro.

Começa no intestino delgado, onde se acumulam linfócitos chamados Th17 que produzem grandes quantidades de um tipo especial de citocina (moléculas envolvidas ma emissão de sinais entre as células) denominado por IL17. “A IL17 entra na circulação sanguínea, atua nas células endoteliais do cérebro, que ligam os vasos sanguíneos do cérebro, e reprime a produção de óxido nítrico.

“O óxido nítrico é fundamental para relaxar os vasos sanguíneos do cérebro e permitir que o fluxo sanguíneo seja suficiente para ajudar os neurónios a manterem-se saudáveis”, explicou ao jornal Público, Constatino Iadecola, principal autor do artigo.

A perda de óxido nítrico reduz o abastecimento de sangue para o cérebro e causa uma disfunção neuronal que leva a danos na cognição, um deles é o défice na memória.

Nesta investigação, revelada pela revista Nature Neuroscience, os ratos tiveram uma dieta com excesso de sal durante três meses e oito semanas depois os cientistas registaram uma disfunção neurovascular.

Após 12 semanas, os animais demoraram o mesmo tempo a explorar dois tipos de objetos, enquanto os ratos sujeitos à dieta com alto teor de sal falharam na identificação dos novos objetos.

O estudo provou que deixando a dieta com alto teor em sal para trás o desempenho no reconhecimento dos objetos volta também ao normal.

Quanto à possibilidade dos efeitos registados nesta experiência com ratos, serem os mesmos nos seres humanos, Constantino Iadecola afirma que “os comportamentos dos ratos e dos humanos são diferentes, mas nós concentrámo-nos em atividades cognitivas que estes animais precisam no dia-a-dia, porque nos seres humanos estas são as atividades comprometidas pela demência”, esclarece o cientista, em declarações ao jornal Público.

O melhor mesmo é seguir o conselho da Organização Mundial de Saúde e ingerir apenas o recomendado, ou seja, cinco gramas por dia.

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