Quercus desafia portugueses a ficar 40 dias sem usar plástico descartável

Por Tiago / Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018 / Publicado na categoria Nacional, Notícias

 

 

 

A Quercus desafiou, esta terça-feira, os portugueses a desistirem dos produtos descartáveis durante 40 dias, no âmbito de uma iniciativa europeia para sensibilizar para o problema do plástico, um poluente que permanece na natureza centenas de anos.

Chamada “#40 dias sem plástico”, a campanha vai decorrer no período da Quaresma (assinalado por cristãos antes da Páscoa) e é divulgada em Portugal pela associação de defesa do ambiente Quercus.

Trata-se de “um desafio ambiental europeu e diário que convida a desistirmos dos produtos descartáveis e a sensibilizar as populações para modos de vida mais amigos do ambiente”, explica a Quercus em comunicado hoje divulgado.

Segundo a coordenadora da área dos resíduos da associação, Carmen Lima, “Portugal está em linha com os países que mais consomem este tipo de produtos, mas alguns deles, como a França e o Reino Unido, já [têm] legislação pronta para eliminar o uso” e reduzir o consumo de plásticos. A associação espera que Portugal passe rapidamente a fazer parte deste grupo de países.

Vários partidos apresentaram já propostas visando a proibição ou redução do uso de utensílios descartáreis nos restaurantes, diplomas que estão a ser analisados na Assembleia da República.

“A situação não é animadora”, salienta a associação, já que o consumo de produtos descartáveis está a crescer e estudos recentes mostram que 259 milhões de copos de café, 10 mil milhões de beatas de cigarros, 40 milhões de embalagens de “take-away”, mil milhões de palhinhas de plástico e 721 milhões de garrafas descartáveis são consumidos em Portugal em cada ano.

Volta ao Mundo em palhinhas de plástico

Segundo estimativas citadas pelos ambientalistas, as palhinhas usadas nos restaurantes anualmente são suficientes para dar a volta ao planeta cinco vezes.

Plásticos, como cotonetes, palhinhas ou sacos de plásticos descartáveis, vão parar aos oceanos e deterioram-se, dando origem a pequenas partículas que são ingeridas pelos animais e levam à sua morte.

Os microplásticos também são um ingrediente de muitos cosméticos e produtos de higiene pessoal, como exfoliantes para cabelo, corpo e rosto, pastas e cremes dentais, entrando na rede de esgotos, mas como são demasiado pequenos para serem completamente filtrados nos sistemas de tratamento vão para os rios e mares.

Estas partículas acabam por entrar na cadeia alimentar dos humanos, “podendo colocar a saúde em risco”, alerta a Quercus.

A poluição do mar pelos plásticos é um problema global. Em 1990, a produção de plástico era metade da atual e daqui a alguns anos poderá existir no oceano mais plástico do que peixe, se nada for feito para evitar o elevado consumo deste material, conclui.

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